Duas vezes doce e uma amarga (Josiane Orvatich) - Dona Plácida Livraria

Duas vezes doce e uma amarga (Josiane Orvatich)

R$ 35,00
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Editora: Kotter
Páginas: 48
Ano de lançamento: 2020

Sinopse:
A poesia de Josiane Orvatich nos pega à flor da pele. "Eram trepadeiras retas subindo no seu nome" abre o livro e nos lança num universo feminino suavemente erótico e esplêndido em sensibilidade e agudez. O livro traz versos de uma leveza assustadora, traçando uma espécie de percurso natural em que o amor, o corpo e, por fim, a maternidade afloram com uma facilidade e beleza nada triviais. Nada de experimentalismos nem de superficialidade. Um discurso poético sedutor enlaça o interlocutor silencioso com versos que brotam de uma natureza corpórea atemporal e não localizada que nos levam para os lugares do prazer e da dor perfurando a subjetividade sem (muito) sofrimento: "Corriam vastos os pés sob os lençóis / E se agarravam breves as mãos ávidas / Eram velas em mastros se rasgando ao vento / Esticadas e brancas na tempestade". Eram. "Eram dias tontos de sol e sorvete". Tudo parece sugerir estados de alma que fruem. Sensualidade nada óbvia, que faz quebrar expectativas apenas para reafirmá-las em palavras doces e certeiras: "Seu beijo mole e saliva eram as mesmas palavras duras / frutas secas / peras molhadas / bico do peito / Seu abraço morno e suado eram os mesmos jasmins do portão / cão e dono formiga e pão / ponta da agulha / Seu olho semicerrado / Sua voz quase anil / me acolhe, me enchente / Me escreve em mim / com os nomes que inventei". O corpo finalmente se inscreve em verbo poético, que faz conosco o que ela bem entende. Poesia e voz, finalmente, são um só. E, ao fim, "Brota o garoto / Semente, raiz / Marulhento / Pele de seio espichada / Gordura de leite / Cheiro de maré cheia". Na poesia como na vida, uma mulher se faz mãe da própria linguagem, e seu livro surge, "no centro da sala vazio, / um bebê".

(Rodrigo Tadeu Gonçalves) 
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